segunda-feira, 17 de junho de 2013

o que queremos? e no que vai dar esse barulho todo?

Não sei o quanto conseguirei contribuir escrevendo aqui essas informações, mas apesar do cansaço de hoje, preciso fazer isso. Espero que isso possa ajudar e chegar a mais pessoas.

Já está claro que as manifestações não são por 20 centavos (nem por 40 se quiser considerar ida e volta).
Mas afinal é por que?
Tenho certeza de que muita gente não sabe e muita gente que está na rua não sabe. Mais ainda, têm muita gente se perguntando em que vai dar isso tudo.

Pois bem. Ao menos para mim isso é muito maior mesmo.
Não é por transporte público de qualidade, mas é também.
Não é contra governos, mas é também.
Não por uma bandeira individual, mas é também.

Por que tanta gente foi para a rua hoje (17/06) e está se programando para ir novamente (18, 19 e 20/06)?
É por que existe muita indignação, muito sentimento de "nada foi feito" e de "nada mudou".
Oras, sabemos que para a maioria da população brasileira a situação melhorou. O consumo aumentou e o acesso a alguns serviços (como é o caso do ensino superior) está possível.

Mas por que o número de parques públicos diminui e o de shopping centeres aumenta?
Por que o transporte público piora e a compra de carros é facilitada?
Por que as vagas no ensino público aumentam e o salário dos professores diminui?
Por que a violência aumenta?
Por que os mais pobres ainda sofrem tanto?

É por que o motivo as coisas mudam pouco em um sistema como esse.
Qual sistema?
O que vivemos e mantemos. Nesse sistema as grandes empresas exploradoras da SUA mão de obra investem nas campanhas de políticos (TODOS/AS) e por isso pedem de volta favores.
Esses favores são vistas grossas a coisas erradas (ou a serviços desumanos), são acenos de muita verba pública (que é dinheiro NOSSO) e autorização para usar a polícia como leões de chácara.

Essas grandes empresas incluem os grupos de comunicação. Elas estão CONTRA NÓS.
E os governos, por conta de acordos realizados antes das eleições, estão a favor delas (e CONTRA NÓS).

Então não adianta esse discurso de "é preciso mudar também na hora de votar". Isso não cola mais. Especialmente depois de décadas escolhendo o MENOS PIOR.
É preciso mudança de verdade.

Então, aponto aqui o que imagino ser uma pauta minimamente coerente para se levar adiante (em ordem aleatória e não de importância ou urgência):



-Reforma política com financiamento público de campanha;




-Reforma urbana que democratize e DEVOLVA a cidade a seus verdadeiros donos (o POVO), tirando da mão de grandes construtoras e especuladores;

-Reforma agrária para que se acabe de vez com o latifúndio nesse país e cessem as mortes no campo e a fome;

-Criação da Lei de Mídias (ou de Meios de Comunicação), retomando concessões e distribuindo investimentos de maneira a quebrar monopólios ou grandes grupos que trazem desinformação.

Isso mudaria o Brasil. Tirar um governo para por outro menos pior não resolve.
Vandalismo também não resolve.

Mas pressão e INFORMAÇÃO SEGURA (consciência ou ideologia, chamem do que quiserem) resolvem muito.
E é possível! Quem me conhece sabe o quanto acredito em um país diferente, justo e melhor. Quem me conhece mais sabe que eu sempre defendi a força e a vontade do povo Brasileiro.
Nós podemos. E se não nós, quem?

Nos vemos na rua.
E será uma satisfação.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

os Beatles são mais populares que Jesus?


Essa frase do título (em forma de pergunta), foi dita por John Lennon em uma entrevista e recentemente circulou dentro do discurso de um famoso e mal fadado pastor (que vem causando muita polêmica em muitas coisas).

A questão é que, um pacifista e humanista, como é o caso de Lennon, foi condenado ao inferno, pois teria levado três tiros: "em nome do pai, em nome do filho e em nome do espírito santo", justamente por ter dito a tal frase.

A fala de John Lennon é famosa e eu conhecia fazia tempos... mas isso me incomodou. Não por ela ter sido dita, nem mesmo pela fala do pastor, mas pela inconsequente contextualização que se faz, sempre que se quer justificar a morte (ou o fim da banda).

Procurei algumas referências para entender melhor o que se passava no momento da declaração, pois acreditar que alguém com a inteligência a o espírito pacífico de Lennon, não diria algo assim para se vangloriar ou para arrumar caso.

Encontrei esse material e achei muito interessante.
Reproduzo aqui:


O que Lennon disse, quando entrevistado por Maureen Cleave foi:

►"O cristianismo vai passar. Vai afundar e desaparecer. Não há necessidade de discutir esse assunto. Estou certo disso, e o tempo é que vai provar. Somos hoje mais populares do que Jesus. Eu não sei qual desaparecerá primeiro, se o rock and roll ou se o cristianismo. Jesus era ok, mas seus discípulos eram pessoas estúpidas e comuns. É a deturpação feita por eles que, para mim causa todo o estrago."

→Para mim a única interpretação provável disto é que:

1)Lennon não se colocou como mais importante do que Jesus, disse que naquele momento eram mais populares. [E pela frequência em que estampavam as manchetes dos jornais de todo o mundo não disse nada de absurdo. Alguém duvida de que aquela juventude conhecia e se interessava muito mais pelos Beatles ou por qualquer outra coisa do que pela religião?

2)Lennon não criticou a religião, mas a deturpação de valores feita por seus discípulos. E neste aspecto eu não deixo de concordar com ele.

Quando a entrevista foi publicada na Inglaterra não gerou polêmica alguma. Apenas meses depois, quando a Datebook, uma revista americana de fofocas, estampou na capa "John Lennon diz que os Beatles são mais populares do que Jesus" e dedicou algumas páginas com abordagem sensacionalista ao assunto é que a polêmica estourou. As canções do grupo foram vetadas em diversas estações de rádio e alguns lideres cristãos coagiram seu fiéis a queimar os discos. [Diz-se que isto tornou-se uma espécie de piada entre os Beatles, uma vez que para queimar os discos as pessoas teriam de comprá-los]

A jornalista Maureen Cleave era admiradora do grupo e já os acompanhava há algum tempo (e, dizem, viria a ter um caso com Lennon). Quando viu as proporções que a entrevista estava adquirindo, logo colocou-se a fazer declarações a imprensa (até Epstein pedir que ela se abstivesse de fazer mais comentários sobre):
►"Ele não pretendia se vangloriar da fama dos Beatles e, certamente, John não compara os Beatles a Cristo. Ele observara apenas que a situação do cristianismo estava tão precária que, para muitas pessoas, os Beatles eram mais conhecidos".

O comunicado oficial de Brian Epstein, empresário do grupo, à imprensa:
►"A citação das declarações que John Lennon fez a uma colunista de Londres há quase três meses tem sido realizada e reapresentada totalmente fora de contexto. Lennon tem profundo interesse em religião. O que ele queria dizer era que estava surpreso com o fato de que, durante os últimos cinquenta anos, a Igreja Anglicana, e, portanto, Cristo, sofreu um declínio de interesse. Ele não pretendia se vangloriar da fama dos Beatles. Queria apenas enfatizar que os Beatles pareciam, em sua opinião, exercer maior impacto sobre a geração mais nova"

Quase um ano depois, quando o grupo voltou aos EUA para a turnê de Revolver, John declarou à imprensa:
►"Se eu tivesse dito que a televisão era mais popular do que Jesus, teria passado batido. Estou arrependido de ter aberto a boca. Eu só estava conversando com uma amiga e usei o nome 'Beatles' como uma coisa distante, como os outros nos vêem. comentei que o conjunto tinha mais influência sobre os jovens do que que qualquer outra coisa, inclusive Jesus. Eu disse aquilo dessa forma, e a forma como eu a disse é que estava errada. Não sou contra Deus, nem contra Jesus, tampouco anti-religioso. Não estava criticando nada. Não estava afirmando que somos maiores ou melhores. Acho que é besteira, se não gostam de nós, por que simplesmente não deixam de comprar nossos discos?"

Bom, parece que mesmo décadas depois existem pessoas que se limitam a entender de tudo isso apenas um "ele se julga maior do que Jesus Cristo". Me parece apenas mais da mesma "deturpação".

.

Fonte(s):

Citações extraídas de

SPITZ, Bob. Tempestade Em Copo De Água. In: SPITZ, Bob. The Beatles: A Biografia. São Paulo: Larousse, 2007. Cap. 30, p. 622-628.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

under pressure...



noite mal dormida e as 6h em pé.
banho tomado, volto pra cama.
telefone toca. de novo. de novo.

9h. sem dormir nem mover.
tv, sono, tv, internet.

14h. a fome se resolve com dois doces.
sono.

tem bons filmes no cinema.
o horário é legal.
o horário passa.
tem outro depois, dá pra ir.
o horário passa.
ao menos sair de casa jantar. algum bom restaurante.
algum restaurante perto.
um supermercado pra uma sopa.

19h. alguém me espera na porta.
um homem em um carro. ele olha pra mim.
acho que ele não tem motivo pra me matar, mas nunca se sabe.
aperto o passo, olho para trás.
não, ele não me segue, eu acho.

depois da sopa preciso de algo.
rodo prateleiras do supermercado pra saber do que preciso.
não preciso de nada.

21h. na rua, voltando.
barulho em uma igreja evangélica.
é uma universal do reino de deus.
alguns segundos na porta. tenho vontade de entrar.
mas passa.

volto pra casa.
volto pra cama.
2h. dormir até as 6h.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Qual seu medo?

Medo! Você tem, certo? Todo mundo tem!
Mas do que?

As vezes ouço algumas pessoas tratando o medo de forma subjetiva, ou quase. Quando por exemplo alguém diz: "Tenho medo do futuro..."
É comum e até justificável, mas é estranho.


Fiz uma busca no Wikipédia pesquisa sobre o assunto e uma definição de medo é essa aqui:
medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.
Quer dizer, o medo mesmo é só aquele cagaço básico!
O medo é a sensação... Então como é que as pessoas sentem medo de coisas tão impalpáveis? Sentem a "sensação" e o "estado de alerta" para isso?

Bom, eu quis falar sobre isso porque sou um cara muito medroso. Sigo vivendo a filosofia do "mais vale um covarde vivo do que um herói morto". Há!

Mas, já me arrisquei muito, especialmente nessas situações mais abstratas... Mudanças, lembranças, futuro, carreira, relacionamentos, família... Mas nunca tive medo disso tudo, eu acho.

Tenho a impressão que a insegurança ou a incerteza não são medos, mas só receios ou mesmo desejos mesmo. Vontade de que dê certo, ou vontade de que não dê errado.

Mas medo mesmo, é mais perceptível né?
Eu tenho muitos!


É por tentar evitar o medo que eu não vejo filme de terror quando vou dormir sozinho, por exemplo. AHAHA (é sério!)

Mas, de toda forma, me lembro de uma história bem bacana...

Um dia uma professora perguntou aos seus alunos do que eles tinham mais medo.
Entre as respostas, apareceram monstros, lugares escuros, animais...
Até que um menino disse: "Tenho medo do MALA MAN"

Mas o que? Que porra é essa? - a professora deve ter pensado isso, mas falou:

O que é isso?
E o menino respondeu: "Não sei professora, mas eu tenho muito medo. Toda noite ouço minha mãe rezando e no final ela sempre pede: Livrai-nos do MALA MAN"

Pois então, o medo é daquilo que não sabemos o que é. O desconhecido é mesmo assustador...

É, dá pra ter medo do futuro sim.

.

é uma satisfação.
Desejo um 2013 com poucos medos.